segunda-feira, 20 de março de 2017

Promessa de Deus

Jó: 22. 26. Então te deleitarás no Todo-Poderoso e erguerás o teu rosto para Deus. 27. Tu orarás a Deus, e ele te ouvirá; e pagarás os teus votos. 28. Tudo que planejares realizar dará certo, e a luz brilhará constantemente em teus caminhos. 29. Quando teus semelhantes sofrerem qualquer abatimento, proferirás: ‘Haja alento e disposição!’ E Deus salvará o humilde. 30. E mais, livrará até o que não é inocente, que será libertado graças à pureza que há em ti, em tuas mãos e comportamento. - Bíblia KJA Offline

quarta-feira, 1 de março de 2017

A monarquia em Israel

A monarquia em Israel: os livros de 1, 2 Samuel, 1,2 reis, 1,2 Crônicas.

Introdução Geral

A EBD nesse semestre estudará o tema “Monarquia de Israel”, onde nos deteremos no estudo dos personagens bíblicos destacando suas qualidades, defeitos em especial exemplos de fé de reis e profetas que honraram o nosso Deus.
Logo de início trataremos de dois conceitos importantes para compreendemos a relação entre Deus e seu povo.
1.       

  •      Teocracia – uma forma de governo em que o próprio Deus intervinha na vida do seu povo [lei e seu código de ética].
  •      Monarquia – Forma de governo em que o poder é exercido pelo rei, pela rainha, por seus descendentes ou herdeiros diretos [Dicionário online de português].
A palavra em hebraico para rei [1Samuel 8.5]é MELEKH; um rei: rei, real. É um substantivo masculino que significa rei. A forma feminina é MELKÃH que significa rainha. A palavra MELEKH aparece mais de 2.500 vezes no Velho Testamento [Bíblia de Estudo palavras chave].
As principais fontes do estudo do período monárquico israelense são os livros de:

·         1, 2 Samuel;
·         1,2 reis;
·         1,2 Crônicas.

Vejam um breve panorama do livro de Samuel.

1,2 Samuel.

·         Em sua época Israel deixa de ser uma teocracia para ser uma monarquia que encerraria com o cativeiro da Babilônia.
·         Retrata a vida de três grandes personagens bíblicos:

a)       Samuel [1075-1035 a.C.]. O ministério de Samuel foi de 40 anos.
b)       Saul.
c)       Davi.

·         Tema central dos livros de Samuel

d)       1 Samuel – “Deus em busca de um homem segundo o seu coração para governar o seu povo”. [Dr. David F. Payne].
a)       2 Samuel – “O estabelecimento de Davi como rei teocrático” [Dr. Stanley Ellisen].

·         Autoria – 1Samuel 1-24, é do próprio Samuel que narra os fatos até sua morte [I Samuel 25:1]. Os demais capítulos e livro de acordo com a tradição hebraica foram escritos por Natã e Gade.
·          
“Ora, os atos do rei Davi, desde os primeiros dias até os últimos, estão escritos nas crônicas de Samuel, o vidente, e nas crônicas do profeta Natã, e nas crônicas de Gade, o vidente”, 1Crônicas 29.29

·         Lições práticas do livro de 1Samuel:

ü  Deus deseja pessoas segundo o seu próprio coração.
ü  Deus é livre para escolher líderes para o seu povo.
ü  Deus é o verdadeiro líder do seu povo.
ü  A vida de uma nação é reflexo de sua vida moral e espiritual.

·         Lições práticas do livro de 2Samuel:

ü  Deus é Senhor da história e controlador de todas as coisas.
ü  O pecado tem consequências imediatas ou demoradas, mas nunca fica impune.
ü  Deus sempre nos dá uma nova oportunidade.
ü  Devemos encarar o pecado como pecado por causa das suas consequências apontadas nas Sagradas Escrituras.

Escolhendo a forma de governo
Texto bíblico – Deuteronômio 17,14-20; 1Samuel 1-10
Texto áureo – 1Samuel 8.7

Quando entrares na terra que te dá o Senhor teu Deus, e a possuíres, e nela habitares, e disseres: Porei sobre mim um rei, assim como têm todas as nações que estão em redor de mim;
Porás certamente sobre ti como rei aquele que escolher o Senhor teu Deus; dentre teus irmãos porás rei sobre ti; não poderás pôr homem estranho sobre ti, que não seja de teus irmãos.
Porém ele não multiplicará para si cavalos, nem fará voltar o povo ao Egito para multiplicar cavalos; pois o Senhor vos tem dito: Nunca mais voltareis por este caminho.
Tampouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração não se desvie; nem prata nem ouro multiplicará muito para si.
Será também que, quando se assentar sobre o trono do seu reino, então escreverá para si num livro, um traslado desta lei, do original que está diante dos sacerdotes levitas.
E o terá consigo, e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer ao Senhor seu Deus, para guardar todas as palavras desta lei, e estes estatutos, para cumpri-los;
Para que o seu coração não se levante sobre os seus irmãos, e não se aparte do mandamento, nem para a direita nem para a esquerda; para que prolongue os seus dias no seu reino, ele e seus filhos no meio de Israel.                                                       Deuteronômio 17:14-20


Ao se tratar da monarquia israelita um nome se sobressai: Samuel.

  •    Último dos 13 juízes que governou Israel [Otniel, Eúde, Sangar, Débora e Baraque, Gideão, Tola, Jair, Jefté, Ibsã, Elom, Abdom, Sansão, Eli, Samuel. ];
  •    Além de ser um profeta, possuía inúmeras qualidades de um líder segundo o coração de Deus [prudência, paciência, providencia e piedade];
  •      Foi responsável pela criação da monarquia israelita.
o    Algo já previsto pelo próprio Deus;
o    Regulamentado em sua lei;
o    Desejado pelo povo.

1.       Um milagre chamado Samuel.

O nascimento de Samuel foi um milagre, visto que, sua mãe era estéril e por isso mesmo discriminada em sua própria casa [Penina]. Seu lamento se transformou em oração e seu desprendimento em entregar seu único filho ao serviço de Deus, redundou em sua cura. Seu cântico em 2 Samuel 2, declara a soberania de Deus.

“O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela. O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. Levanta o pobre do pó, e desde o monturo exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do Senhor são os alicerces da terra, e assentou sobre eles o mundo”.  1 Samuel 2:6-8

Devido a sua fidelidade, Deus resolve agraciar Ana com mais 5 filhos.

2.       O ministério de Samuel [1Sm 3.1-10]


  •      Seu ministério tem início quando ouve e entende a voz de Deus com ajuda do sacerdote Eli.
  •      Seu primeiro sermão foi contra o próprio mestre que era permissivo na criação dos seus filhos. Os meninos de Eli eram:
o    Incrédulos – 1Sm 2.12; 3.13.
o    Agressivos – 1Sm 2.16.
o    Imorais – 1Sm 2.22.

Eli tolera-os na liderança do povo de Deus. Agindo desta forma Eli deixou de honrar a Deus por não disciplinar com firmeza seus filhos.

Por que pisastes o meu sacrifício e a minha oferta de alimentos, que ordenei na minha morada, e honras a teus filhos mais do que a mim, para vos engordardes do principal de todas as ofertas do meu povo de Israel?                    1 Samuel 2:29

No texto fica claro:

ü  O papel que um pai deve desempenhar na vida dos seus filhos.
ü  As implicações de uma má disciplina.
ü  Eli falhou quando não disciplinou seus filhos ao perceber o desvio de caráter,

3.       A Arca: um amuleto?

Em 1Samuel 4, temos a narrativa de um conflito militar entre Filisteus e israelitas. Esse episódio deixa claro a precária condição espiritual de Israel. O sentimento de nação eleita lhes dava uma falsa confiança que sairiam vencedores na peleja. O grande trunfo era a Arca da Aliança. Ela era o símbolo concreto dessa eleição, portanto, ninguém lhes resistiria, visto que, Deus estava obrigado a defendê-los. Porém, estavam equivocados. Esse mesmo pensamento é alimentado em nossos dias com a teologia da prosperidade. Vejam o desenrolar da situação.

No primeiro encontro com os Filisteus Israel é derrotado. Morrem 4 mil Israelitas. A avaliação dessa derrota é confusa e demonstra a disposição de coração dos israelitas.

Quando os soldados voltaram ao acampamento, as autoridades de Israel perguntaram: "Por que o Senhor deixou que os filisteus nos derrotassem? Vamos a Siló buscar a arca da aliança do Senhor, para que ele vá conosco e nos salve das mãos de nossos inimigos".                 1 Samuel 4:2

É interessante observar como os príncipes de Israel tem uma compreensão mística acerca da arca. Para eles a arca funcionaria como um amuleto que reverteria a guerra em seu favor. Tal pensamento vem do mundo da magia, onde se acredita que ao manipular porções os feiticeiros estabelecem o controle sobre a natureza. Essa é a mesma prática que hoje pululam algumas igrejas evangélicas, onde o uso de sal grosso, a busca por milagres vem substituindo a substanciosa palavra de Deus. É triste ver o povo de Deus correndo atrás desses vendilhões do templo acreditando que com esse método nada evangélico alcançarão a vitória.  Quando se adora a coisa criada e não ao criador das coisas o resultado é desastroso.

Veja no quadro abaixo o resultado do uso da arca como amuleto pelos israelenses e como troféu de guerra entre os Filisteus.

Cenário religioso
Uso supersticioso da arca: a arca sendo usada como amuleto
A arca usada para livramento (1Sm 4.3)
Perda de 30 mil homens (1Sm 4.10)
A arca foi posta diante do deus Dagom
Dagom ficou esquartejado
A arca foi levada para as cidades de Asdode, Gate e Ecrom
Apavorou ou adoeceu os moradores.
A arca levada de volta para Israel (1Sm 6.1-12)
As vacas foram para a cidade de Bete-Semes, andando e mugindo, sem desviar do caminho e não era Acaso.
A arca na cidade de Bete-Semes (1Sm 6.19)
Setenta homens olharam para dentro da arca da aliança e, por isso, o Senhor os matou.











Olhando para o quadro acima percebe-se:

·         Falta de discernimento espiritual:

         I.            Quando a liderança Filisteia duvida da ação de Deus - 1Sm 6.9. [...] “isso sucedeu por ACASO”.
        II.            Os habitantes do Bete-Semes olham de forma irreverente para dentro da arca – 70 homens morreram [1Samuel 6.19]. Deus é santo.  Deus tem tudo sob seu controle, nada acontece por acaso.

Outro aspecto a considerar dentro desta circunstância foi a reprovação da liderança espiritual do sacerdote Eli e dos seus filhos. Vejam:

  •      Hofni e Fineias, filhos do sacerdote Eli estavam em Silo e foram introduzidos na guerra pelas circunstâncias e são eliminados [1Sm 4.4,11].
  •      O próprio sacerdote Eli também morre em meio as novidades [1Sm 4.18]
  •     A nora de Eli também morre e deixa no nome do seu filho a marca de toda família sacerdotal [1Sm 4.19-21-22]
“Enquanto morria, as mulheres que a ajudavam disseram: "Não se desespere; você teve um menino". Mas ela não respondeu nem deu atenção. Ela deu ao menino o nome de Icabode, e disse: "A glória se foi de Israel". Porque a arca foi tomada e por causa da morte do sogro e do marido. E ainda acrescentou: "A glória se foi de Israel, pois a arca de Deus foi tomada". 1 Samuel 4:20-22

É interessante observar que todos somos passiveis de sermos disciplinados por Deus quando fazemos o seu trabalho de forma relaxada [Jeremias 48.10a - "Maldito o que faz com negligência o trabalho do Senhor! ”! ]. O título de sacerdote não livrou Eli e sua família do juízo divino. Essa situação me faz pensar que a função pastoral deve ser exercida com integridade e leveza de alma. O amor tão propalado dos púlpitos deve ser comprovado no dia-a-dia das igrejas, caso contrário o ministério sofrerá.

4.       Samuel, o intercessor

A morte de Eli e a instalação da arca na cidade de Quiriate-Jearim [1 Samuel 6:21] marca a transição para o ministério do profeta Samuel.

“E sucedeu que, desde aquele dia, a arca ficou em Quiriate-Jearim, e tantos dias se passaram que até chegaram vinte anos, e lamentava toda a casa de Israel pelo Senhor”. 1 Samuel 7:2

Lamentava [NÃHÃH] raiz primitiva de gemer, lamentar; donde [chamar em voz alta] ajuntar [como que numa proclamação: - lamentar, prantear.

A ação de Samuel veio após um longo tempo de maturação.

“Então falou Samuel a toda a casa de Israel, dizendo: Se com todo o vosso coração vos converterdes ao Senhor, tirai dentre vós os deuses estranhos e os astarotes, e preparai o vosso coração ao Senhor, e servi a ele só, e vos livrará da mão dos filisteus. Então os filhos de Israel tiraram dentre si aos baalins e aos astarotes, e serviram só ao Senhor. Disse mais Samuel: Congregai a todo o Israel em Mizpá; e orarei por vós ao Senhor. E congregaram-se em Mizpá, e tiraram água, e a derramaram perante o Senhor, e jejuaram aquele dia, e disseram ali: Pecamos contra o Senhor. E julgava Samuel os filhos de Israel em Mizpá”. 1 Samuel 7:3-6

É interessante observar que muitos ainda dormiam espiritualmente. Astarotes e baalins* ainda impregnavam a vida do povo. Contudo, Samuel deixa claro que para Deus operar tinha que haver conversão e santidade.

Diante da conversão do povo a Deus e seu apelo humilde para que Samuel não cessasse de orar [1Sm 7.8] pelos que partiriam para a batalha, o servo de Deus faz seu trabalho [sacrifica um cordeiro] e clamou a Deus por Israel e Deus ouviu sua oração [1Sm 7.9]

Resultado:

·         A batalha foi favorável a Israel – 1Sm 7.10-12.
·         Nunca mais os Filisteus vieram aos termos de Israel - 1Sm 7.13.
·         Todas as cidades conquistadas pelos Filisteus foram recuperadas por Israel - 1Sm 7.14.

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Astarote - Estrela, o planeta Vênus. A principal divindade feminina dos fenícios, como Baal era o principal dos deuses. Assim como Baal foi identificado com o Sol, assim Astarote, ou Astarte, com os seus crescentes, o era com a Lua, simbolizada pela vaca. o culto desta deusa veio dos caldeus para os cananeus. Era a deusa do poder produtivo, do amor, e da guerra. Entre os filisteus o seu culto era acompanhado de grande licenciosidade, em que os bosques representavam uma proeminente parte. As pombas eram-lhe consagradas.
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5.       Aposentadoria sem ressentimento.

A bíblia nos fala que Samuel julgou Israel todos os dias da sua vida [1Sm 7.15], contudo, na velhice seus filhos o substituiu e não fizeram o que era bom diante de Deus.

E sucedeu que, tendo Samuel envelhecido, constituiu a seus filhos por juízes sobre Israel. E o nome do seu filho primogênito era Joel, e o nome do seu segundo, Abia; e foram juízes em Berseba. Porém seus filhos não andaram pelos caminhos dele, antes se inclinaram à avareza, e aceitaram suborno, e perverteram o direito. 1 Samuel 8:1-3

O pastor João Soares aponta três razões para os anciões de Israel desejarem um rei:


  • .        Razões pessoais – O caráter dos filhos de Samuel era duvidoso, por sinal, iguais aos filhos de Eli.
  • .       Razões políticas – Os papeis que Samuel desempenhava era próprio de um rei [Líder religioso, militar e juiz].
  • .        Razões psicológicas – Israel se achava inferior as demais nações vizinhas que possuíam um governo monárquico.

As alternativas citadas acima podem até explicar porque da escolha de um governo monárquico, o desgosto do profeta Samuel, mas não explica a reação de Deus.

Vejamos porque aparentemente nada do que os israelenses pediram a Samuel era absurdo ou desrespeitoso a Deus:

a.        De acordo com Deuteronômio já era previsto que em algum momento Israel seria uma monarquia [Dt 17.14-15].
b.       O contexto que Israel vivenciava era perfeitamente cabível a existência de uma monarquia.
ü  O povo desejava evitar novas perdas militares 1Sm 8.20.
ü  Ficar livre de líderes corruptos – Os filhos de Samuel e de Eli.

Onde estava o pecado no pedido dos líderes populares?

·         Eles atribuíam, erradamente, os fracassos ocorridos durante aquela época ao próprio sistema e não aos seus pecados.
·         Rejeitaram Deus a desejarem ser iguais as nações vizinhas e não um povo separado por Deus para testemunhar ao mundo do seu amor.
·         Queriam um libertador visível em quem podiam confiar e não na subjetividade da ajuda divina.
·         Eles queriam andar por vistas e não por fé. Procuravam assim escapar as exigências Moraes da Lei.

Então todos os anciãos de Israel se congregaram, e vieram a Samuel, a Ramá, E disseram-lhe: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações. E disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não te têm rejeitado a ti, antes a mim me têm rejeitado, para eu não reinar sobre eles. Então o Senhor disse a Samuel: Dá ouvidos à sua voz, e constitui-lhes rei. Então Samuel disse aos homens de Israel: Volte cada um à sua cidade. 1Sm 8.4-5,7,22

6.       A escolha de Saul 1Sm 9-10

Em cumprimento a vontade de Deus, Samuel busca um homem segundo o coração de Deus. Ele encontra Saul com qualificações que aos olhos humanos eram perfeitas para o exercício da realeza.


Escolha de Saul para ser rei de Israel
Era belo e forte – 1Sm 9.2; 10.23,24.
No mundo antigo boa aparência era uma benção de Deus.
Era sensível – 1Sm 9.5
Procurando as jumentas do pai, Saul não queria deixar o pai preocupado com a sua longa ausência.
Era humilde – 1Sm 9.20
Saul recorreu ao profeta Samuel por não ter encontrado as jumentas.
Era sábio – 1Sm 10. 14-16, 27
Ao ocultar do tio bisbilhoteiro o conteúdo da conversa que tivera com Samuel, Saul se mostra prudente. Também foi prudente fingindo não ouvir o escarnio de alguns.










“Então o Senhor disse a Samuel: Dá ouvidos à sua voz, e constitui-lhes rei. Então Samuel disse aos homens de Israel: Volte cada um à sua cidade” 1Sm 8.22.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A História por Trás de Pecadores nas Mãos de um Deus Irado

No outono 1740, a visita de George Whitefield a Jonathan Edwards trouxe consigo uma onda de entusiasmo com respeito à fé. Um novo avivamento irrompeu. Muitos clérigos da Nova Inglaterra começaram a ser itinerantes e a cruzar os interiores da região, pregando o avivamento. Pastores estabelecidos também achavam que provavelmente despertariam mais fervor espiritual se eles mesmos se aventurassem fora de suas paróquias. Ninguém tinha visto um avivamento desta dimensão antes. Até em Boston, ministros favoráveis ao avivamento registraram interesses espirituais sem precedentes e uma aparente transformação da cidade. Este grande avivamento também cresceu dramaticamente em intensidade. Em resposta à pregação de avivamento, pessoas choravam frequentemente pelo estado de sua alma, desfaleciam e eram até tomadas de êxtases.

Edwards aproveitou o momento de uma maneira que tem sido lembrada por muito tempo. Seguindo as novas tendências do avivamento, ele alterou seus sermões para criar uma intensidade dramática e começou a pregar mais fora de sua paróquia. Essa combinação levou ao mais famoso – ou infame – incidente de sua vida: a pregação de “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, em Enfield (Connecticut).

O ambiente era uma vila próxima da fronteira de Massachusetts e Connecticut, em meados de julho de 1741. A cidade vizinha, Suffield, estivera experimentando um avivamento admirável por algum tempo. No domingo, três dias antes do seu sermão em Enfield, Edwards, como um ministro convidado, presidira um culto de Ceia do Senhor em que um número admirável de 97 pessoas foram recebidas como membros comungantes. O avivamento em Suffield havia produzido intensas erupções de êxtases. Na segunda-feira, depois do culto de comunhão, Edwards pregou numa “reunião privada” para uma multidão aglomerada em dois grandes cômodos de uma casa. Um visitante que chegara depois do sermão disse que a uma distância de 400 metros de podia se ouvir berros, gritos e lamentos, “como de mulheres em dores de parto”, quando as pessoas agonizavam pelo estado de sua alma. Alguns desmaiaram ou entraram em transe; outros foram tomados de extraordinário chacoalho no corpo. Edwards e outros oraram com muitos dos consternados e levaram alguns a “diferentes graus de paz e alegria, alguns a enlevo, tudo exaltando o Senhor Jesus Cristo”, e exortaram outros a se achegarem ao Redentor.

Dois dias depois, Edwards se uniu a um grupo de pastores visitantes que estava tentando propagar o avivamento até Enfield, e lhe pediram, tendo em mente, sem dúvida, o seu sucesso em Enfield, que pregasse um sermão. Edwards não era como Whitefield, que poderia cativar uma congregação por meio de eloquência dramática e espontânea. Sua voz era fraca, e pregava com base num manuscrito que ele havia quase memorizado. Usava poucos gestos e fazia pouco contato de olhos. Dizia-se que ele parecia estar fitando a corda do sino no fundo da igreja. Apesar disso, seus sermões eram uma combinação de lógica muito clara e intensidade espiritual que poderia, às vezes, encantar seus ouvintes. No caso de “Pecadores”, diferentemente de muitos dos seus sermões, ele acrescentou muitas ilustrações vívidas. A combinação se revelou poderosa.

“Pecadores” é citado habitualmente como um exemplo da severidade da pregação de fogo do inferno na América primitiva. Entretanto, vê-lo apenas como isso é perder de vista maior parte da verdade. Os pregadores desta época pregavam com regularidade sobre o inferno porque acreditavam que ele era uma realidade terrível sobre a qual as pessoas precisavam ser alertadas. Eles consideravam a doutrina da punição eterna como misteriosa e aterrorizante, mas o próprio Jesus se referira a ela, e a maioria dos cristãos, em todas as eras, o entendera no sentido real. Alertar os paroquianos quanto ao perigo real era uma coisa amável a ser feita, e, quanto mais um ministro pudesse ajudá-los a sentir verdadeiramente seu perigo, tanto mais eficaz era a advertência. Até pregadores de um tipo liberal usavam a doutrina das recompensas e punições eternas para ajudar a controlar as pessoas moralmente. Para os cristãos orientados por conversões, mais do que moralidade estava em jogo. Evangélicos como Edwards falavam de “avivamentos” porque as pessoas que eram cegadas pelos prazeres de seus pecados necessitavam ser vivificadas para ver seu imenso perigo e o remédio de Deus em Cristo.

No famoso sermão de avivamento de Edwards, ele admitiu o fogo do inferno como algo real e colocou a ênfase na solene tensão entre o julgamento de Deus e a misericórdia de Deus. Edwards apresentou Deus como o juiz perfeitamente justo que estava corretamente indignado em face da rebelião dos seres humanos contra seu amor. Ao mesmo tempo, Deus havia se restringido misericordiosamente, por um tempo, na execução de seus juízos, para dar aos pecadores uma oportunidade de receberem o amor redentor de Cristo e serem salvos da condenação horrível, justa e certa.

Edwards formulou as imagens impressionantes do sermão ao redor da ira de Deus iminente e retida por muito tempo. “As negras nuvens da ira de Deus [estão] pairando sobre a nossa cabeça, cheias de tempestade horrível e grandes trovões.” Ou “como grandes águas que são represadas no presente; elas aumentam cada vez mais e sobem cada vez mais”. Outra vez, “o arco da ira de Deus está armado, e a flecha está pronta na corda, e a justiça dispara a flecha em seu coração e desarma o arco”. Assim, Edwards acumulava imagem sobre imagem. Além disso, ele insistia em que não era a ira ou a justiça que estava errada, mas a pecaminosidade essencial de cada pessoas que tornava justo o julgamento. “A sua impiedade o torna tão pesado quanto o chumbo e o faz tender para baixo, com grande peso e pressão, rumo ao inferno”. “Homens não convertidos andam sobre o abismo do inferno, em uma cobertura podre”, e podem cair a qualquer momento. Ou na passagem mais famosa: “O Deus que o segura sobre o abismo do inferno, muito mais do que alguém segura uma aranha ou algum outro inseto abominável sobre um fogo... não é nada, senão a mão de Deus que o segura para não cair no fogo cada momento; e o fato de que você não foi para o inferno na noite passada tem de ser atribuído a nada mais”, ou “visto que você se levantou nesta manhã”, ou “visto que você está sentado aqui na casa de Deus”. “Ó pecador!”, ele apelou. “Considere o terrível perigo em que você está... você está pendurado em um fio muito tênue, e as chamas da ira divina ao redor dele, prontas a cada momento a queimá-lo, e queimá-lo totalmente; e nada você tem... em que segurar para salvar a si mesmo... nada que possa fazer para levar a Deus a poupá-lo por mais um momento.”

Edwards nunca terminou o sermão em Enfield. O tumulto se tornou muito grande quando a audiência foi tomada por gritos, lamentos e clamores: “O que farei para ser salvo? Oh! estou indo para o inferno! Oh! o que farei por Cristo?” Um dos ministros registrou que “os gritos agudos e clamores eram comoventes e admiráveis”. Várias “pessoas foram esperançosamente mudadas naquela noite. Oh! que prazer e alegria havia em seus semblantes!”

O sermão e seus efeitos foram ainda mais assustadores porque a cacofonia no recinto impediu Edwards de chegar à parte que abordava a misericórdia de Deus: “E agora vocês têm uma oportunidade extraordinária, um dia em que Cristo abriu amplamente a porta de misericórdia e está à porta chamando e clamando, com voz alta, a pobres pecadores”. Estes eram temas que Edwards pregava frequentemente em seus outros sermões. Neste dia específico, ele planejara lembrar os ouvintes de tão grande provisão, de como muitos outros tinham ouvido o chamado de Cristo com amor e alegria e de “quão terrível é ser deixado para trás num dia como esse!” Ironicamente, seus ouvintes o impediram de chegar às boas novas que lhes viera comunicar.

Edwards podia, literalmente, amedrontar uma audiência, mas também possuía um lado muito mais gentil. Temos um vislumbre dessa qualidade de cuidado pastoral em uma carta de conselho que Edwards escreveu naquele mesmo verão. Deborah Hathaway, uma jovem de 18 anos convertida no avivamento de Suffield, se voltara a Edwards em busca de conselho. Por isso, ele ofereceu uma lista de orientações para jovens cristãos. Em um tempo, esta carta ficou talvez mais amplamente conhecida do que “Pecadores”, visto que nos anos anteriores à Guerra Civil Americana ela foi impressa em grandes números como um folheto intitulado “Conselho a Jovens Convertidos”. Na carta, Edwards salientava a importância de humildade e de não ser desanimado. O tom de Edwards na carta oferece um impressionante contraste com “Pecadores nas Mãos de um Deus Irado”. O Deus trino é não apenas o espantosamente justo juiz, mas também o Cristo amável, cujas mãos são gentis. “Em todo o seu proceder”, Edwards instou, “ande com Deus e siga a Cristo como uma criança pequena, frágil e dependente, agarrando a mão de Cristo, mantendo os olhos nas marcas das feridas no lado e nas mãos dele, de onde vem o sangue que purifica você do seu pecado”.

Fonte: trecho do livro "A Breve Vida de Jonathan Edwards", por George Marsden.

George M. Marsden (Ph.D) é historiador, professor e escritor prolífico. É professor emérito da Universidade Notre Dame, nos EUA, autor de várias obras de referência nas áreas de história da religião, cultura, igreja e evangelicalismo norte-americanos. Entre suas publicações, destaca-se a extensa e bem documentada biografia de Edwards: “Jonathan Edwards, a life”, publicada pela editora Yale e laureada com o renomado prêmio literário Brancroft Prize, concedido pela Universidade Columbia. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Igreja é ameaçada pelo Estado Islâmico e responde: "Deus não nos deu espírito de medo"

A ameaça do Estado Islâmico deixou a Primeira Igreja Batista de Dallas (EUA) em estado de alerta, mas a comunidade disse: "continuaremos fazendo o que o Senhor nos chamou para fazer"

Radicais islâmicos nomearam a Primeira Igreja Batista de Dallas (Texas, EUA) - que tem mais de 10 mil membros - como como um alvo potencial para um ataque.

Uma revista de propaganda digital do Estado Islâmico, chamada "Rumiyah", incluiu fotos da igreja, localizada no centro da cidade, em um artigo, no qual aos seguidores do grupo terrorista que realizassem ataques com um incêndio criminoso, de acordo com a emissora local de TV 'KXAS' (NBC5).

A publicação digital teria chamado a igreja de "um popular lugar de encontro dos cruzados, que espera para ser queimado".

Funcionários da igreja disseram que, embora não haja nenhum sinal de perigo iminente ou evidência de que um ataque desse tipo está sendo planejado, eles estão em estado de alerta, após a ameaça.

Os líderes da Igreja disseram que não irão se intimidar com o anúncio da revista do Estado Islâmico.

"A Bíblia nos diz que o Senhor não nos deu um espírito de medo", disse a igreja em uma nota oficial, enviada à emissora NBC5. "Se nos entregarmos ao medo, o Estado Islâmico ganha. Então, continuaremos fazendo o que o Senhor nos chamou para fazer".

Liderado pelo pastor Robert Jeffress, a igreja esteve em contato com autoridades locais e federais nas últimas semanas e diz que está confiante de que a igreja está segura.

O pastor Jeffress esteva no centro das atenções nacionais na semana passada, quando pregou em um culto privado, antes da posse do presidente Donald Trump.

Guiame.com.br